O Rio de Janeiro deu início a uma ação concreta para enfrentar a violência contra meninas nas escolas públicas estaduais. O programa “Nós+Seguras” visa transformar os espaços escolares em ambientes mais acolhedores e protetivos, por meio de ações articuladas entre as secretarias de Educação, Saúde e da Mulher, com apoio da ONG Serenas.
A proposta inclui formações para profissionais da rede, rodas de conversa com estudantes e ferramentas pedagógicas que abordam, de forma acessível, temas como respeito, empatia, igualdade e prevenção de abusos.
Os dados que embasam a iniciativa são alarmantes. Mais de 3 mil meninas de até 17 anos foram vítimas de estupro ou importunação sexual no estado em 2023, segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP). Muitas dessas ocorrências aconteceram em ambientes próximos à vítima — inclusive dentro da própria escola.
Além disso, registros do sistema estadual de violência escolar revelam que as meninas representam a esmagadora maioria dos casos de assédio (94%), abuso (79%) e estupro (100%) nas unidades de ensino. Também lideram os números de bullying psicológico, autoagressão e tentativas de suicídio.
Com base nesse cenário, o Nós+Seguras propõe uma política pública integrada e contínua, que fortaleça a rede de proteção a partir da escola. A estratégia se apoia na formação continuada de professores, produção de materiais didáticos e articulação com os serviços de saúde e assistência social de cada território. “Queremos garantir que nenhuma menina tenha seus sonhos interrompidos pelo medo. Uma escola segura é aquela onde direitos são ensinados e respeitados”, afirmou Amanda Sadalla, diretora da ONG Serenas.
A expectativa do Governo do Estado é que, ao longo dos próximos meses, a proposta alcance todas as escolas da rede estadual, contribuindo para a construção de uma cultura de paz, respeito e equidade de gênero desde a infância.

