Especialista alerta para riscos de mergulho em águas rasas na alta temporada

O Verão começa nesta sexta-feira (22) e, com o combo de férias escolares e festas de fim de ano, as cidades da Região dos Lagos têm um aumento exponencial de visitantes. Com índices turísticos na casa do milhão, várias pessoas vão para as praias e lagoas da região. No entanto, isso acende um alerta, especialmente, quando se trata do mergulho. O número de acidentes assusta e preocupa especialistas.

O médico neurocirurgião João Thiago Frossard atua no Hospital Estadual Roberto Chabo, em Araruama. A unidade de referência no atendimento de alta complexidade recebe pacientes de nove municípios. Assim sendo, Frossard alerta para que a população, especialmente os banhistas que estão no litoral, tomem cuidado com locais de águas rasas a fim de evitar acidentes.

“Nunca se deve mergulhar de cabeça em locais desconhecidos, especialmente em águas turvas e após ingerir bebidas alcoólicas. Um mergulho em águas rasas podem causas lesões sérias na medula cervical. Além do risco de vida, essas lesões podem resultar em uma paralisia permanente dos braços e pernas. É preciso tomar precauções para prevenir esses acidentes, pois mesmo com todo o tratamento, os danos podem ser irreversíveis”, alertou o especialista.

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Vítimas podem ficar paraplégicas ou tetraplégicas

Acidentes como esse são a segunda causa de lesões medulares no verão, de acordo com a Sociedade Brasileira de Coluna (SBC). A estimativa é de que, durante o verão, cerca de 10 pessoas ficam paraplégicas ou tetraplégicas a cada semana no Brasil por esse motivo. Em 90% desses episódios, as vítimas são homens de 10 a 25 anos.

No ano passado, o Hospital Estadual Roberto Chabo atendeu 118 pacientes vítimas de afogamento e por mergulho em águas rasas. Um dos casos que chamou a atenção foi de um homem de 30 anos que ficou tetraplégico. Em visitava a cidade de Arraial do Cabo, ele e amigos decidiram mergulhar na tradicional lagoa da região, mas a água estava rasa.

O homem bateu violentamente a cabeça e foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros. Ele foi para uma unidade de saúde da região e, na sequência, levaram-no para o Roberto Chabo. No hospital, fez uma tomografia que identificou grave lesão na coluna.

“Casos como este podem ser evitados. As pessoas devem ter prudência ao mergulhar em uma região que não conhece. A imprudência pode custar a vida ou gerar graves sequelas”, alertou João Thiago.

Hospital Estadual passa por obras de ampliação

O Hospital Estadual Roberto Chabo atende Araruama, Búzios, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Casemiro de Abreu, Iguaba Grande, Rio das Ostras, São Pedro da Aldeia e Saquarema. A unidade ganha, no início do próximo ano, um Centro de Trauma e mais leitos de CTI.

O diretor da unidade, Mário Jorge Espinhara, adianta que o Centro de Trauma terá quatro leitos de estabilização, com toda infraestrutura para atender paciente de alta gravidade. Enquanto isso, o CTI passará de nove para 16 leitos.

“Estamos ampliando o hospital, uma unidade muito importante no atendimento de média e alta complexidade na Região dos Lagos. As obras seguem dentro do cronograma e queremos abrir os novos espaços em janeiro, estação do verão, quando o número de atendimento mais que dobra. O investimento nessas obras vai evitar a transferência de muitos pacientes politraumatizados”, disse.

Paralelamente, o hospital também está recebendo obras de manutenção corretiva e preventiva em toda a sua estrutura e ainda climatização em todas as enfermarias. Neste momento, o hospital está fazendo o reforço de carga na amperagem da unidade para que a rede suporte a instalação dos novos equipamentos de refrigeração. Os serviços estão acontecendo sem haver qualquer tipo de paralisação no atendimento aos pacientes.

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