A equipe do CRD de Araruama do Instituto BW – IBW resgatou o primeiro pinguim da temporada de passagem do ano na praia de Itaúna, em Saquarema. O animal da espécie Spheniscus magellanicus, conhecido popularmente como “Pinguim-de- Magalhães” foi resgatado no último sábado (29). O animal está em processo de reabilitação, recebendo os cuidados da equipe veterinária na sede do instituto.
De acordo com o instituto, esses animais chegam debilitados, abaixo do peso e hipotérmicos devido às adversidades da viagem.

Ainda segundo a ONG, os Pinguins de Magalhães habitam os mares do Atlântico e Pacífico da América do Sul, mais precisamente na Argentina, Chile e Ilhas Malvinas, mas devido à influência do inverno, assumem como parte de sua rota migracional o sul e sudeste do Brasil para se alimentar. Durante essa jornada, os animais mais jovens podem encalhar, como ocorreu no último sábado.
Há registros de pinguins juvenis capturados em junho de 1971 no Rio de Janeiro e em julho e agosto em Santa Catarina, que haviam sido anilhados em janeiro deste mesmo ano em Punta Tombo, a 2.500 km em linha reta de distância.
Estudos arqueológicos de sambaquis ao longo da costa do Brasil revelam camadas de conchas e fragmentos de pontas de flechas, machados, cerâmica, esqueletos humanos e esqueletos de animais, incluindo os ossos de pinguins, indicando que eles vêm para a costa brasileira muito antes da colonização Portuguesa, de acordo com o Instituto BW.
A instituição reforça que caso alguém encontre um pinguim, não devolva o animal à água e de forma alguma coloque o animal no gelo. É recomentado acionar as instituições ambientais, como INEA, guardas ambientais e o Instituto BW, que podem ajudar o animal de forma adequada.
O BW atua na região dos lagos e no norte fluminense desde 2020 e atualmente também executa o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Campos e do Espírito Santo – PMP-BC/ES .
Sobre os Pinguins
A Instituição BW explica que os pinguins são aves oceânicas da ordem Sphenisciformes caracterizadas por não possuírem capacidade de vôos, pois suas asas são transformadas em nadadeiras e seus ossos não são pneumáticos (oco).
Os animais são adaptados à vida aquática devido a capacidade de utilizarem suas asas para propulsão, fazendo com que atinjam uma velocidade de até dez metros por segundo embaixo d’água, onde podem permanecer submersos por vários minutos. Além disso, possuem a visão adaptada ao mergulho. Essas características contribuem para eles se tornarem bons pescadores.
Como os pinguins se reproduzem?
As fêmeas colocam dois ovos entre outubro e novembro, sendo que a maioria deles eclodem entre meados de novembro e início de dezembro. Após o nascimento, os pais revezam-se na alimentação dos filhotes durante três a quatro semanas.
Após um mês, os pais vão em busca de alimentos juntos, os filhotes são deixados sozinho e começa a formação da “creche”, ou seja, muitos filhotes perto dos ninhos sem a presença dos pais. Esses pinguins jovens vão ao mar em sua mais longa migração em janeiro ou fevereiro, com aproximadamente três meses de idade, permanecendo nele durante cinco anos, e depois vão para o continente apenas para fazer a troca de penas. Após esse grande período ao mar, eles voltam para suas colônias para iniciar seu ciclo reprodutivo.


