Junho traz consigo um fervor particular que marca a manifestação de amor, luta e afirmação de identidade da comunidade LGBTQIA+, celebrada a partir do dia 1º até o dia 30 do mesmo mês. Em São Pedro da Aldeia, o Coletivo Jovem Diferenças busca comemorar a data com a organização de um Festival do Orgulho, mas tem encontrado barreiras para realizar o evento. 

A presidente do coletivo, Angel Queen, de 21 anos, conta que os voluntários do projeto estão há algumas semanas tentando articular apoio público para o festival, mas foram encaminhados de setor para setor até, finalmente, conseguir auxílio da Secretaria de Turismo e Eventos do município na última quinta-feira (20). 

De acordo com Angel, ainda que o projeto tenha conseguido ajuda do órgão público, o auxílio vai ser parcial, voltado para a liberação e segurança do local do evento. Porém, a presidente aponta que falta ainda mais suporte para conseguir fornecer o mínimo aos artistas voluntários que vão participar da programação. 

Cerca de 50 pessoas apoiam de forma voluntária o coletivo. Foto: Coletivo Jovem Diferenças.

“A grande maioria dos artistas também são jovens que não conseguem estar chegando, então alguns precisam de passagem, precisa ter uma alimentação…Tem a alimentação da nossa equipe. É muito difícil a gente ter apoio. E quando a gente fala de um coletivo de jovens, muitos pensam que a juventude só quer curtição, só quer fervo, a gente sabe que fervo para a juventude é importante, mas fervo também pode ser luta, assim como o nosso fervo vai ter luta.”, pontuou Angel. 

Gabbs Allysson, de 22 anos, coordenadora de comunicação voluntária do coletivo, ressalta que não tem sido fácil a preparação do festival no município aldeense. 

“Aqui em São Pedro é difícil, demora, a gente manda mensagem, demora a responder ou fala que não dá, que não pode. Então, foi muito difícil para fazer alguma coisa para esse evento e para outros eventos que a gente faz sobre a juventude.”, disse.

A coordenadora de comunicação destaca ainda que o pedido de liberação de espaço e ajuda para a organização do Festival do Orgulho foi feito um mês antes da data solicitada para o acontecimento da celebração, mas ainda assim não será possível a realização do evento na data pedida. 

Em nota, a Prefeitura de São Pedro da Aldeia disse que todos os pedidos de apoio a eventos na cidade devem ser encaminhados à Administração Pública com antecedência adequada, para que seja realizada a devida análise de viabilidade, mas não informou uma data específica para a antecedência. 

A Prefeitura destacou ainda que é apoiadora da causa e afirma que tem programas voltados para a promoção dos direitos e bem-estar da comunidade LGBTQIA+, por meio dos setores específicos: a Coordenadoria LGBTQIA+ da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos, e a Coordenadoria LGBTQIA+ em Saúde da Secretaria de Saúde.

A importância do Mês do Orgulho LGBTQIA+

Historicamente, a escolha de junho para celebrar o Orgulho LGBTQIA+ remonta ao motim de Stonewall, que ocorreu em 28 de junho de 1969, em Nova York. Naquele dia, frequentadores do bar Stonewall Inn, em sua maioria pessoas LGBTQIA+, resistiram a uma batida policial que deu início a uma série de protestos e manifestações que se estenderam por dias. 

Por isso, além do Mês do Orgulho LGBTQIA+ ser celebrado durante todo o mês de junho, o dia 28 de junho é a data oficial do Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+. Por esse motivo, Gabbs esclarece que a intenção inicial do coletivo era fazer o Festival do Orgulho nesta sexta-feira (28), mas devido ao agendamento da data para outro evento, a Prefeitura de São Pedro não liberou o dia para a realização da comemoração. 

Essa data, segundo ativistas, busca reforçar a importância de discutir as temáticas que envolvem gênero e sexualidade e se caracteriza como um agente na luta pelos direitos da comunidade LGBTQIA+, bem como o direito à vida e saúde mental dessas pessoas.

Projeto Coletivo Jovem Diferenças atua há pouco mais de um ano em São Pedro da Aldeia. Foto: Coletivo Jovem Diferenças.

De acordo com o Dossiê de LGBTIfobia Letal, levantado pelo Observatório de Mortes e Violências LGBTI+ no Brasil, em 2023 ocorreram 230 mortes LGBTs de forma violenta no país e dentre os estados que mais matam pessoas da comunidade está o Rio de Janeiro, ocupando o segundo lugar. O dossiê ressalta também que houve um número significativo de suicídios no ano passado, com 30 casos registrados. 

Festival do Orgulho LGBTQIA+

Organizado pelo Coletivo Jovem Diferenças, o Festival do Orgulho LGBTQIA+ vai acontecer no dia 13 de julho, a partir das 15h, na Praça das Águas, em São Pedro da Aldeia. O evento está previsto para durar de 8 a 10 horas.

Segundo Angel, esse será o primeiro Festival do Orgulho da cidade. Ela conta que estão programadas mais de 20 atrações para a celebração, dentre elas DJs, cantores locais, poetas e, ainda, um microfone aberto para quem quiser mostrar sua arte. Além da programação, Angel destaca que vai haver uma ação de arrecadação de agasalhos para as pessoas que precisam. A expectativa da presidente do coletivo é de que cerca de 300 pessoas acompanhem o evento. 

“Esse festival está sendo aglutinado com outras instituições, outras lideranças aqui da região, para mostrar que a gente faz cultura, que a gente faz militância, que a gente faz o fervo também, mas que a juventude está aí para mudar o futuro.”, disse Angel. 

Laysa Jhota, também ativista dos direitos humanos e LGBTQIA+, é presidente da Associação Aldeia Diversidade, que atua há mais de 10 anos no combate à LGBTfobia em São Pedro da Aldeia e outras cidades da Região dos Lagos. Ela aponta que a iniciativa do Coletivo Jovem Diferenças é importante para a causa, mas destaca a relevância da autenticidade do movimento para evitar estigmas à comunidade. 

“Tem que ser um movimento autêntico, que venha somar de forma responsável. Porque nós vivemos numa sociedade muito hipócrita, nós somos criticados por qualquer coisa. Então eu acho que temos que analisar como vai ser qualquer tipo de movimento para fazer de forma ordeira, com amor, respeito e, acima de tudo, diversidade.”, pontuou Laysa. 

Angel ressalta que a diversidade e a cultura LGBTQIA+ vão ser as estrelas do evento. Ela aponta ainda que pretende colocar a data no calendário do coletivo para promover o festival anualmente. 

“A gente só não sabe se vamos seguir fazendo anualmente em São Pedro ou se vamos andar pelos municípios da Região dos Lagos para mostrar a cultura LGBT, o dia do orgulho e a importância de celebrar o mês do orgulho”, destacou. 

Angel fez questão de informar que, para esse evento, o coletivo terá o apoio dos agentes da guarda municipal da cidade para sanar uma de suas preocupações: a segurança das pessoas no local.

Sobre o Coletivo Jovem Diferenças 

O Coletivo Jovem Diferenças é um projeto desenvolvido por Angel Queen em 2023 e conta com cerca de 50 jovens voluntários atualmente. Segundo Angel, o coletivo aborda questões diversas, como a LGBTfobia, racismo e a violência de gênero, que também atravessam pessoas diferentes. Além disso, ela destaca que as ações do coletivo não se limitam apenas à comunidade LGBTQIA+. 

Além de temáticas voltadas à comunidade LGBTQIA+, coletivo aborda diferentes causas que atravessam as pessoas. Foto: Coletivo Jovem Diferenças.

“A criação do coletivo jovem foi para falar da união e da coletividade da juventude na Região dos Lagos como um todo, para debater e para construir políticas públicas para o futuro da região a partir do pensamento e através da juventude”, disse a presidente do projeto. 

Angel explica que o coletivo é estruturado entre uma coordenação geral, a coordenação de comunicação, a coordenação de finanças e a coordenação de mobilização, compostos pelos voluntários do projeto.

One Reply to “Coletivo enfrenta dificuldades para celebrar Dia do Orgulho LGBTQIA+ em São Pedro da Aldeia”

  1. Bom dia, sou lésbica, cristã, mãe, filha,vendedora e acredito que dinheiro público e mobilidade tem que ser gastos em prol de necessidades e não vaidades. Tem muita gente passando fome e muitas prioridades há se preocupar. Se queremos fazer passeatas ou eventos temos que arcar com nossas ideologias.

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