Espaço Cultural do Surfe preserva memória do esporte em Cabo Frio

Acervo reúne mais de 2,5 mil peças e apresenta a evolução das pranchas e da cultura do surfe

Entre praias reconhecidas pelas boas ondulações e pela forte ligação com o surfe, Cabo Frio abriga um espaço dedicado à preservação da história e da cultura do esporte. O Espaço Cultural do Surfe Telmo Moraes consolidou-se como referência de memória esportiva na Região dos Lagos, reunindo um acervo que atravessa décadas e ajuda a compreender como o surfe evoluiu no mundo, no Brasil e na própria cidade.

O espaço apresenta ao visitante um percurso cronológico que conecta relíquias, equipamentos clássicos e referências contemporâneas. São mais de 2,5 mil peças, incluindo pranchas, miniaturas, fotografias, pôsteres e objetos que dialogam diretamente com a transformação técnica e cultural da modalidade.

Durante um tour pelo local, o surfista profissional Victor Ribas, um dos nomes mais respeitados do esporte e cria de Cabo Frio, destacou o caráter singular do acervo. “Essa foi a primeira prancha da coleção do Telmo Moraes, a primeira relíquia do museu. Uma peça dessas você não vê em qualquer lugar”, afirmou ao apresentar uma das raridades da exposição.

O espaço revela ao público as mudanças que marcaram o design das pranchas ao longo do tempo. Dos modelos inteiramente de madeira, comuns nas décadas de 1950 e 1960, às versões em fibra, menores, mais leves e adaptadas às exigências do surfe moderno. “As pranchas começaram maiores, depois ficaram mais pontudas, mais redondas, menores. O equipamento acompanha a evolução do surfe”, comentou Ribas.

Além das pranchas clássicas, como os modelos alaya, o acervo também dialoga com a trajetória recente do surfe nacional, exibindo referências associadas a atletas que ajudaram a projetar o Brasil no cenário internacional. Entre os destaques estão equipamentos ligados a nomes como Gabriel Medina, Adriano de Souza, Felipe Toledo, Ítalo Ferreira e Maya Gabeira — representantes de uma geração que transformou o país em potência mundial da modalidade.

Parte da narrativa também resgata episódios curiosos da chegada do surfe ao Brasil. “Naquela época, soldados americanos começaram a surfar em Santos, e os santistas foram os primeiros a seguir esse movimento”, relembrou.

Outro destaque do espaço é o setor dedicado às ondas gigantes, modalidade que ganhou projeção em picos como Nazaré, em Portugal. A exposição apresenta pranchas e elementos técnicos que ilustram como o esporte se adaptou às condições extremas. “O pessoal acreditava que quanto maior a onda, maior a prancha, até que veio o auxílio do jet ski. As pranchas ficaram menores para se adequar à velocidade”, explicou.

Com trajetória consolidada no circuito mundial, Ribas competiu profissionalmente entre 1990 e 2007. O atleta possui autoridade para contextualizar não apenas a evolução dos equipamentos, mas também os movimentos históricos que moldaram o esporte.

O Espaço Cultural do Surfe Telmo Moraes está localizado na Praça da Cidadania, em frente ao Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb, na Praia do Forte e possui entrada gratuita. O local funciona de segunda a quarta-feira, das 9h às 17h; quintas e sextas-feiras, das Das 9h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 16h às 20h, integrando o circuito turístico-cultural de Cabo Frio.

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