Ensinar no Brasil exige, cada vez mais, paciência e resistência. Segundo uma pesquisa internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis 2024), divulgada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), os professores brasileiros gastam, em média, 21% do tempo de aula para manter a disciplina. O percentual equivale a uma hora perdida a cada cinco horas de ensino efetivo.
O levantamento, realizado com docentes e diretores de 53 países, mostra que o problema é mais grave no Brasil do que na média das nações da organização, onde o índice é de 15%. O dado reacende um debate sensível neste 15 de outubro, dia do professor: o maior desafio da educação brasileira segue dentro da sala de aula.
De acordo com a pesquisa, 44% dos professores brasileiros afirmam ser frequentemente interrompidos pelos alunos, mais que o dobro da média internacional, de 18%. O cenário indica uma deterioração das relações em sala e um aumento da carga emocional sobre os docentes. Entre 2018 e 2024, o tempo perdido com indisciplina cresceu dois pontos percentuais, tanto no Brasil quanto entre os países da OCDE.
Estresse e saúde mental
Além das dificuldades de gestão da turma, os professores relatam níveis elevados de estresse. Um em cada cinco afirma que o trabalho é “muito estressante”, número próximo ao dos colegas estrangeiros. Mas os impactos sobre a saúde são mais severos no país: 16% dizem que a profissão afeta a saúde mental e 12% relatam prejuízos à saúde física, contra médias de 10% e 8% na OCDE, respectivamente.
Desvalorização e vocação
A pesquisa também revela a persistente sensação de desvalorização. Apenas 14% dos professores brasileiros acreditam que a sociedade reconhece o seu trabalho, percentual inferior à média internacional (22%). O mesmo índice se aplica à percepção sobre o reconhecimento nas políticas públicas.
Mesmo assim, a satisfação profissional continua alta. Cerca de 87% dos docentes afirmam estar satisfeitos com o trabalho, e 58% dizem que a docência foi a primeira escolha de carreira. Os dados reforçam o contraste entre o compromisso dos profissionais e as condições em que exercem a função.
Esta é a 4ª edição da Talis, que foi realizada no Brasil entre os meses de junho e julho de 2024. Os estudos sobre a realidade brasileira foram conduzidos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), com a colaboração das secretarias de educação das 27 Unidades Federativas.


