Os municípios da Região dos Lagos encerraram 2024 com um Índice Firjan de Gestão Fiscal (IFGF) médio de 0,5817 ponto, acima da média estadual do Rio de Janeiro, que ficou em 0,5587 ponto. O resultado mostra desempenho relativamente melhor que o restante do estado, mas ainda evidencia desafios fiscais importantes para a região.
O levantamento da Firjan, que avalia as contas de mais de 5 mil municípios brasileiros por meio dos indicadores de Autonomia, Gastos com Pessoal, Investimentos e Liquidez, aponta que os municípios da região têm pontos fortes, como Gastos com Pessoal (0,7623 ponto) e Liquidez (0,7718 ponto). Esses números indicam boa capacidade de honrar compromissos no curto prazo e flexibilidade orçamentária.
Por outro lado, a baixa Autonomia (0,3303 ponto) é a principal fragilidade. A maioria das cidades depende de repasses federais e estaduais para manter serviços essenciais, mostrando dificuldade de gerar receita própria. O nível de investimentos públicos também preocupa: a média regional foi de 0,4626 ponto, abaixo do ideal, e reforça a dificuldade em expandir infraestrutura e serviços municipais.
Entre os municípios da região, Saquarema, Iguaba Grande e Araruama se destacam positivamente. Eles combinam nota máxima no indicador de Gastos com Pessoal com maior priorização de investimentos, contrariando a tendência estadual de baixa aplicação de recursos próprios. Já Cabo Frio, maior cidade da região, apresentou um cenário crítico em 2024, com baixa autonomia, alto comprometimento do orçamento com despesas obrigatórias e forte penalização nos investimentos públicos.
O estudo da Firjan também mostra que, no estado do Rio de Janeiro, a média de investimentos públicos é de apenas 4,6% da receita, menos da metade da média nacional de 10,2%, o que coloca os municípios fluminenses entre os que menos priorizam melhorias para a população.
Segundo Luiz Césio Caetano, presidente da Firjan, “é fundamental considerar que os resultados de 2024 foram impulsionados pelo desempenho econômico e maior repasse de recursos, mas isso pode não se repetir nos próximos anos. Mesmo com maior folga fiscal, muitas cidades ainda enfrentam situação desfavorável, evidenciando desigualdades históricas e mantendo o Brasil longe de patamar elevado de desenvolvimento”.
A análise completa do IFGF mostra que a situação das cidades varia de crítica (abaixo de 0,4 ponto) a excelente (acima de 0,8 ponto). Na Região dos Lagos, os municípios estão em grande parte na faixa de dificuldade (0,4 a 0,6 ponto), reforçando a necessidade de estratégias que aumentem a arrecadação local e otimizem os gastos públicos, especialmente com pessoal, para garantir equilíbrio fiscal e melhores serviços à população.

