Exposição “Ilê Asé Iya Oju Omi: Ofó e memórias da comunidade de povos de terreiros” acontece neste domingo (8), em São Pedro da Aldeia

Projeto contemplado pelo edital Nossos Museus apresenta acervo, debates e manifestações culturais dos povos tradicionais de terreiro

O Ilê Asé Iya Oju Omi realiza neste domingo (8), das 10h às 17h, no Ponto de Cultura, a exposição cultural “Ilê Asé Iya Oju Omi: Ofó e memórias da comunidade de povos de terreiros”, contemplada pelo edital Nossos Museus, da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.

A iniciativa apresenta ao público a trajetória, o acervo e as práticas culturais da comunidade tradicional de terreiro, ampliando o reconhecimento do candomblé como patrimônio cultural do Estado do Rio de Janeiro, conforme a Lei Estadual nº 5.506/2009. A proposta também promove o debate sobre memória, identidade, pertencimento e enfrentamento ao racismo religioso.

Reconhecido como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura e como Ponto de Memória pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), o Ilê Asé Iya Oju Omi integra o Cadastro Fluminense de Museus e desenvolve ações baseadas na museologia social, na qual a própria comunidade é protagonista na preservação e transmissão de sua história.

A exposição será organizada em três alas temáticas. A primeira apresenta a trajetória da Iyalorisá Maria Fiderioman, liderança religiosa e cultural do terreiro, desde sua iniciação no candomblé, há mais de 30 anos, até os dias atuais, além da história de fundação do Ilê Asé Iya Oju Omi. A segunda ala aborda os povos de rua, como exus e pombagiras e também os ciganos, trazendo contextualização histórica, simbólica e cultural e ampliando a compreensão sobre sua presença na cultura afro-brasileira. Já a terceira ala trata dos caboclos – de pena, de couro e de água – evidenciando suas diferentes manifestações e o diálogo entre ancestralidade indígena e afro-brasileira na formação cultural do país.

“Essa exposição é um convite para que as pessoas conheçam de perto a nossa trajetória, nossa memória e nossa ancestralidade. O terreiro é um espaço de fé, mas também de cultura, de cuidado e de construção coletiva. Queremos que todos se sintam acolhidos para aprender, dialogar e vivenciar esse momento conosco no dia 8 de março”, disse Iyalorisá Maria Fiderioman.

O acervo inclui vestimentas, instrumentos litúrgicos, objetos sagrados, registros fotográficos e itens históricos da própria comunidade, apresentando ao público o cotidiano e a dimensão cultural do terreiro.

Ao longo do dia, o evento contará com apresentação cultural de abertura, palestra “Povos Tradicionais de Terreiros – um olhar cultural”, ministrada por Ekedi Juliane (Ekedi Ju), roda de conversa sobre a fundação e trajetória do ponto de memória com Iya Maria Fiderioman, Marcia Carvalho, Ogan Balogun e Ekedi Biua, circuito expositivo mediado e apresentação cultural de encerramento. Também haverá exposição de artesanato e biojoias produzidas pelas mulheres do terreiro, culinária tradicional e registro fotográfico e audiovisual das atividades.

Ao final da programação, haverá um momento de confraternização, celebrando a ancestralidade, a memória coletiva e a cultura dos povos tradicionais de terreiros.

Programação completa – 8 de março (domingo)

10h às 11h – Apresentação cultural
11h às 12h – Palestra “Povos Tradicionais de Terreiros – um olhar cultural”
12h às 13h – Almoço
13h às 15h – Roda de conversa sobre a fundação e trajetória do ponto de memória
15h às 16h – Circuito expositivo
16h às 17h – Apresentação cultural

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