Em uma eleição sem concorrentes e marcada por questionamentos na Justiça, o deputado Douglas Ruas (PL) foi eleito e empossado presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) nesta sexta-feira (17). Na mesma sessão, também foi eleito o segundo secretário da Mesa Diretora, o deputado Dr. Deodalto (PL).
A votação registrou 44 votos favoráveis a Ruas e uma abstenção. No entanto, o pleito foi esvaziado pela ausência de 25 parlamentares de partidos como PT, PSB, PSD, PCdoB, MDB, PDT e PSOL, que optaram por não participar e sinalizaram que devem recorrer ao Supremo Tribunal Federal.
A eleição ocorre após uma tentativa anterior, realizada em 26 de março, ter sido anulada pela Justiça. Desta vez, o processo voltou a ser alvo de críticas, principalmente pelo modelo de votação aberta, mantido por decisão judicial.
Inicialmente, a disputa contaria com dois candidatos: além de Ruas, o deputado Vitor Junior (PDT), apoiado por um bloco ligado ao ex-prefeito Eduardo Paes (PSD). No entanto, o parlamentar retirou a candidatura em protesto contra a manutenção do voto aberto, apontado pela oposição como um mecanismo que expõe deputados a pressões políticas.
Com a retirada, uma frente composta por 25 deputados de nove partidos também deixou o plenário, classificando o processo como “eleição de fachada”. Para esse grupo, o voto secreto garantiria maior liberdade de posicionamento aos parlamentares.
Já Ruas defendeu a transparência do modelo adotado. “Por que esconder em quem você vai votar? A população tem o direito de saber”, afirmou.
A eleição ocorre em meio a um cenário de instabilidade institucional no estado. A presidência da Alerj poderia colocar Ruas na linha sucessória do governo estadual, mas uma decisão liminar do Supremo Tribunal Federal mantém no comando do Executivo o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, até a definição sobre as regras para a eleição do mandato-tampão.


